Valorização da mulher: o gênero feminino e a Enfermagem

10 03 2008

 

A profissionalização da condição humana junto com a ciência é o que podemos compreender sobre a Enfermagem. A Enfermagem tem como essência o “Cuidar”, o cuidar humano para outro ser humano. O cuidar é uma necessidade básica e também a essência do ser humano.

A Enfermagem é um profissão predominantemente feminina e graças a isso acarreta fatores positivos e negativos. Entre esses fatores podemos destacar o uso da emoção para a compreensão das necessidades alheias como um fator positivo e a classificação da Enfermagem como profissão feminina como um fator negativo.

Históricamente desde os tempos primitivos (Paradigma mágico) a mulher era considerada muito fraca, pois não tinha força suficiente para atender as demandas das necessidades de sua tribo. Era responsável de prover a necessidade da família e transmitir cultura. A mulher era a provedora das questões afetivas e emocionais. A Enfermagem ainda tem o caráter materno proveniente do Paradigma mágico. Na transição do Paradigma mágico para o Paradigma Teológico, a mulher ou era vista como o demônio que desvirtuava os homens ou era vista como santa, púdica, quando mãe e esposa dedicada que satisfazia as necessidades do marido. O Cristianismo explicava a vida através do Creacionismo (Adão e Eva) e foi a partir daí que surgiu a “síndrome de Eva” = bruxaria.  A mulher (Eva), a cobra, e a maçã, enfim, o gênero feminino desvirtuava os homens, instigava o pecado, o desejo e isso devia ser reprimido, se não haveria um completo caos na organização social da época, onde o Rei e o Clero utilizavam a religião para detenção do poder e interesses políticos. Nessa época as mulheres e as esposas dedicavam-se a cuidar dos enfermos e esse ato era visto como um gesto de caridade. Já as parteiras, as curandeiras provenientes do pensamento mágico eram vistas como enviadas do demônio, bruxas e milhares foram queimadas vivas pela Santa Inquisição, ou seja, o paradigma mágico foi queimado pelo paradigma teológico. Somente eram autorizados aqueles que passavam pelas vistas do Clero, dessa formas as mulheres tinham que ser religiosas para se dedicarem a cuidar dos enfermos, um bom exemplo é a Madre Catarina de Viena.

O paradigma teológico modificou a maneira de pensar e agir e instituíu o culto ao sofrimento, o sofrimento é algo que te redime dos pecados. Os profissionais da saúde vieram para adiar o sofrimento, a morte e isso não era bem visto para uma profissão, Florence Nightingale já dizia que a Enfermagem não deveria ser profissão. O conhecimento da ciência era guardado porque ia contra o Cristianismo e muitos pensadores e cientistas para fugirem da Santa Inquisição negaram suas descobertas, como por exemplo Galileo Galilei. Mas foi somente no século XVI que René Descartes com “penso, logo existo” modificou e inaugurou a Ciência Moderna com a priorização da razão e a capacidade de encontrar repostas. Passado algum tempo, Isaac Newton compara o funcionamento do mundo com um relógio. A vida é feita de várias partes integradas que funcionam harmonicamente. O homem é um relógio, composto por engrenagens (sistemas) e a falha de uma dessas engrenagens geravam doenças. Foi a partir desse pensamento e da Revolução Industrial que os cientistas começaram a “dissecar” o mundo criando as especificações.

Com a racionalidade no auge, a emoção e o sentimento perderam valor, e consequentemente esse paradigma perdeu de vista o “humano”. A Medicina começou a criar especialidades e máquinas, e a Enfermagem não virou ciência, apenas acompanhava a Medicina. Quem não conseguia ser extremamente racional era mal visto na sociedade, quem era louco, quem perdia o controle sobre o corpo não prestava para viver na sociedade mecanicista, foi a partir daí que surgiram os hospícios. A saúde então passou a ser vista com um bem, um produto que pode ser vendido e consumido. Será que isso mudou altualmente?

A Enfermagem como ciência se constitucionalizou, mas seu valor continua o mesmo. O tradicionalismo do gênero feminino, a inferiorização da mulher e os esteriótipos da profissão (bruxas + freiras + prostitutas = enfermeiras)  nada mais são do que a repercussão do modelo histórico. Devemos sair do modelo competitivo para entrar no modelo criativo, ou seja, a Enfermagem e a Medicina têm estruturas diferentes que devem ser valorizadas e não comparadas competitivamente. Precisamos o mais urgente mudar e construir um novo pensamento para nossa profissão, essa é minha meta, qual é a sua?