A profissionalização da condição humana junto com a ciência é o que podemos compreender sobre a Enfermagem. A Enfermagem tem como essência o “Cuidar”, o cuidar humano para outro ser humano. O cuidar é uma necessidade básica e também a essência do ser humano.
A Enfermagem é um profissão predominantemente feminina e graças a isso acarreta fatores positivos e negativos. Entre esses fatores podemos destacar o uso da emoção para a compreensão das necessidades alheias como um fator positivo e a classificação da Enfermagem como profissão feminina como um fator negativo.
Históricamente desde os tempos primitivos (Paradigma mágico) a mulher era considerada muito fraca, pois não tinha força suficiente para atender as demandas das necessidades de sua tribo. Era responsável de prover a necessidade da família e transmitir cultura. A mulher era a provedora das questões afetivas e emocionais. A Enfermagem ainda tem o caráter materno proveniente do Paradigma mágico. Na transição do Paradigma mágico para o Paradigma Teológico, a mulher ou era vista como o demônio que desvirtuava os homens ou era vista como santa, púdica, quando mãe e esposa dedicada que satisfazia as necessidades do marido. O Cristianismo explicava a vida através do Creacionismo (Adão e Eva) e foi a partir daí que surgiu a “síndrome de Eva” = bruxaria. A mulher (Eva), a cobra, e a maçã, enfim, o gênero feminino desvirtuava os homens, instigava o pecado, o desejo e isso devia ser reprimido, se não haveria um completo caos na organização social da época, onde o Rei e o Clero utilizavam a religião para detenção do poder e interesses políticos. Nessa época as mulheres e as esposas dedicavam-se a cuidar dos enfermos e esse ato era visto como um gesto de caridade. Já as parteiras, as curandeiras provenientes do pensamento mágico eram vistas como enviadas do demônio, bruxas e milhares foram queimadas vivas pela Santa Inquisição, ou seja, o paradigma mágico foi queimado pelo paradigma teológico. Somente eram autorizados aqueles que passavam pelas vistas do Clero, dessa formas as mulheres tinham que ser religiosas para se dedicarem a cuidar dos enfermos, um bom exemplo é a Madre Catarina de Viena.
O paradigma teológico modificou a maneira de pensar e agir e instituíu o culto ao sofrimento, o sofrimento é algo que te redime dos pecados. Os profissionais da saúde vieram para adiar o sofrimento, a morte e isso não era bem visto para uma profissão, Florence Nightingale já dizia que a Enfermagem não deveria ser profissão. O conhecimento da ciência era guardado porque ia contra o Cristianismo e muitos pensadores e cientistas para fugirem da Santa Inquisição negaram suas descobertas, como por exemplo Galileo Galilei. Mas foi somente no século XVI que René Descartes com “penso, logo existo” modificou e inaugurou a Ciência Moderna com a priorização da razão e a capacidade de encontrar repostas. Passado algum tempo, Isaac Newton compara o funcionamento do mundo com um relógio. A vida é feita de várias partes integradas que funcionam harmonicamente. O homem é um relógio, composto por engrenagens (sistemas) e a falha de uma dessas engrenagens geravam doenças. Foi a partir desse pensamento e da Revolução Industrial que os cientistas começaram a “dissecar” o mundo criando as especificações.
Com a racionalidade no auge, a emoção e o sentimento perderam valor, e consequentemente esse paradigma perdeu de vista o “humano”. A Medicina começou a criar especialidades e máquinas, e a Enfermagem não virou ciência, apenas acompanhava a Medicina. Quem não conseguia ser extremamente racional era mal visto na sociedade, quem era louco, quem perdia o controle sobre o corpo não prestava para viver na sociedade mecanicista, foi a partir daí que surgiram os hospícios. A saúde então passou a ser vista com um bem, um produto que pode ser vendido e consumido. Será que isso mudou altualmente?
A Enfermagem como ciência se constitucionalizou, mas seu valor continua o mesmo. O tradicionalismo do gênero feminino, a inferiorização da mulher e os esteriótipos da profissão (bruxas + freiras + prostitutas = enfermeiras) nada mais são do que a repercussão do modelo histórico. Devemos sair do modelo competitivo para entrar no modelo criativo, ou seja, a Enfermagem e a Medicina têm estruturas diferentes que devem ser valorizadas e não comparadas competitivamente. Precisamos o mais urgente mudar e construir um novo pensamento para nossa profissão, essa é minha meta, qual é a sua?





É isso ae mozão!
Ja foi o tempo de que enfermagem era vista como bruxaria hehe, agora a enfermagem é essencial em todo tratamento, sem a enfermagem como ficaria os pacientes? não é só o médico que ajuda não… tem que ser o conjunto todo e é ai que a enfermagem se encaixa, mas bem graças a Deus, minha namorada vai ser uma excelente enfermeria (phd em enfermagem!) e eu vo ter uma vida de luxo (hehehe brincadeira mozão!), mas bem, dela eu tenho certeza que será uma das melhores enfermeiras do Mundo, bem é isso ai, estou p/ o q der e vier com meu mozão.
Mozão te amo mtu mtu mtu d+ de mtu mtu d+ de d+ d+ de mtu mtu mtu mtu d+! heheh bjão!
[...] a continuidade da luta feminista eh necessaria. Completou com um segundo post muito interessante (esse aqui) falando sobre o genero feminino e a [...]
Gui, muito interessante seu texto e seu chamado final para o esclarecimento e o real entendimento de sua profissao, nao como uma comparacao a medicina mas como profissoes diferentes e complementares de igual valor.
Gostei de ver e entender melhor sua luta, pois confesso que a maioria das coisas que colocaste eu jamais havia pensado.
Muitos beijos da tia que esta orgulhosa de sua participacao exemplar nessa coletiva !
Lys
Excelente texto! Não sabia que a enfermagem também era considerada heresia. Afinal, as heresias sempre tiveram cunho sexual. As mulheres não poderiam demonstrar prazer e fazer uso dele que era considerada bruxa herege ou devassa. Com o capitalismo e a adoção das máquinas, a força bruta e músculos já não eram barreiras para o nosso crescimento profissional.
A enfermagem é uma profissão que lida com as mãos. As mãos que afagam.
Lembrei de um poema de Oriza Martins. Não sei se gosta de poesia, no entanto, vou deixá-la aqui, como um presente pelo magnífico texto que compartilhou conosco.
Mãos que afagam… mãos que salvam…
O quanto da existência depende de nossas mãos?
Já no nascedouro, duas mãos nos aguardam, nos amparam, e constituem nosso primeiro contato com o mundo. Duas mãos que nos seguram, que nos despertam para a realidade fora do doce aconchego do ventre materno… que nos levam a dar os primeiros gritos, de inconsciente alegria, inocentes protestos, demonstração precoce da vida a palpitar.
Antes mesmo do nascimento, mãos se envolveram amorosamente, no processo de nossa fecundação…
E nas veredas da existência, seguimos numa perfeita simbiose entre mãos e consciência; elas concretizam necessidades e sentimentos vários: na luta cotidiana pela sobrevivência, as mãos paternas a nortear; as mãos dos que labutam em diferentes atividades e ajudam a construir a evolução da Humanidade; as mãos do amigo em horas incertas e o roçar das mãos de dois amores no processo de realização dos sonhos mais íntimos…
No entanto, essas mesmas mãos que produzem, acariciam e amparam podem se transformar em veículos de práticas nocivas, de crueldade: para tomar o bem alheio… para violentar o próximo e até para usurpar o direito de nosso semelhante à vida.
Um leve toque de mão pode desencadear um cataclisma mundial.
Se fosse possível às mãos tornar-se seres independentes, nesses momentos, o quanto de tristeza não sentiriam ao perceber que se tornaram instrumentos da perfídia humana…
Cuidemos bem das nossas mãos… e não apenas em termos estéticos.
Que entre as mãos e nossa consciência moral se estabeleça um perene vínculo de princípios elevados, para que elas signifiquem, sempre, instrumentos reais de semeaduras profícuas e pacíficas…
Olhe para suas mãos agora…
… e reflita em que medida tem-se esforçado para que possa orgulhar-se delas.
Feliz páscoa!
Ótimo,
sou acadêmica de enfermagem, amei o texto.
Queria saber se posso utilizar como fonte (mimeografada) para a minha monografia ?
Desta forma precisava do seu nome completo .
aguardo resposta,
e desde já agradeço pela contribuição de suas palavras para enfermagem profissão!!!!
Excelente texto.
Atenciosamente Enfª Márcia
Acessam meu blog tbem, http://acaosaude.wordpress.com
Att Enfª Márcia
ola, gostaria de saber se vc escreveu esse texto ou se retirou de algum lugar, gostaria de citá-lo na minha monografia e preciso de dados, tem como vc me enviar?! obrigada
Sou estudante do curso de enfermagem, gostei muito do texto, nele temos uma visão do que foi a enfermagem por muitos anos.
Gostei, não tinha conhecimento da existência desta website. Muitos Parabéns! =)
Saudações RB
A Enfermagem é hoje mais do que aspirante à Autonomia, uma lutadora e sobrevivente profissão útil e necessária… porque senão quem cuida de nós ? Os medicamentos ? Os médicos ? s farmacêuticos? Os auxiliares ? Os bombeiros ? Todos são necessários mas quem está de serviço 24 horas sobre 24 horas são as mães, os pais, os polícias e os enfermeiros!!
Parabéns pelo texto, agora que ultrapassamos os Paradigmas mágicos, da transformação e do humanismo esperemos que chegue à sociedade o “Paradigma da Compreensão”